quinta-feira, 3 de julho de 2014

VOCÊ VAI PARA AS CIDADES DE PAPEL E NUNCA MAIS VOLTARÁ


ATENÇÃO: A história á seguir pode conter spoilers do livro Cidades De Papel, aconselho que não leia caso você ainda não leu o livro.

Possível final para o livro.

...
  Depois de nos beijarmos naquela escuridão, senti que não poderia mais viver sem Margo Roth Spiegelman, afinal ela era nada mais, nada menos, que o amor da minha vida desde que nós eramos crianças e sem dúvidas aquele era o momento que eu esperava por toda minha vida: estar sozinho com ela e simplesmente á beijando.
  — Margo, eu não quero ir embora, não quero te deixar — digo.
  — É — Responde ela com a voz de choro. — Mas eu preciso ir embora Q, mesmo querendo eu não posso voltar e você sabe disso mais do que ninguém.
  Ficamos ali parados apenas pensando em soluções para não nos separarmos, ter que tomar uma decisão assim doía e sei que poderia doer mais para mim do que para ela. Margo já não tinha mais nada á perder indo mesmo para Nova York dali, ela já tinha deixado tudo pra trás e estava decidida de que voltar não era uma opção. Mas eu não, tinha meus pais, meus amigos e toda uma vida na Flórida pela frente, seria no mínimo irresponsável da minha parte eu virar as costas pra tudo isso e ir embora com ela.
  — E se quando a faculdade acabar eu for morar com você aonde estiver? — Falo pensando que aquilo podeira ser a única alternativa para o problema.
  — Quem sabe não dá certo, a gente ainda tem o verão inteiro e os anos da faculdade pra pensar nisso Quentin, sei que ainda vou te encontrar, e espero que quando esse dia chegar seja pra valer e definitivo.
  — Eu só queria poder ir agora com você Margo — falo com um nó na garganta — E viver junto com você todas as suas próximas aventuras.
  Vejo seu rosto por um único feche de luz que iluminava o lugar, ela não parecia querer muito que aquela ideia fosse para o presente. Mais uma vez Margo queria ser Margo, sozinha, viver tudo sozinha.
  Ela me beijou novamente pegou as chaves do carro e o ligou, por um momento pensei que ela iria mesmo embora sem falar nada, até que chorando ela novamente disse: 
  — Eu te ligo quando chegar lá, vamos dar tempo ao tempo. — E foi embora sem ao menos olhar para mim.
  
  Pensei que aquele seria nosso final e que nunca mais veria ela, mas estava errado. 
  5 anos depois do dia em que nos beijamos no estacionamento, enquanto saia para lanchar com Ben, Radar e Lacey recebi uma mensagem inesperada: Margo havia ganhado dinheiro de um modo muito rápido e tinha comprado um apartamento no centro de Nova York. Na mensagem ela dizia que não queria mais viajar e que a solidão já não a cairia bem e pedia que eu fosse morar com ela, sim, era o que dizia e certamente fiquei sem reação. Mostrei a mensagem para Radar e com um tom de ironia ele respondeu: 
  — Vá logo Quentin Jacobsen, é o amor da sua vida.
  Ben e Lacey também concordaram de eu me mudar para lá. Passei os 2 meses seguintes organizando minha mudança. Meus pais não gostaram muito da ideia mas já não tinha quem tirasse da minha cabeça essa decisão.
  Fui para Nova York com um único pensamento: como será que vai ser daqui pra frente?
  Cheguei ao endereço que Margo tinha dito ser o dela, um prédio bem localizado no centro da cidade, ela já estava me esperando quando entrei no seu andar, juro que nunca tinha visto Margo tão linda como ela estava naquele momento. Seu cabelo crescera de novo, seus olhos mais lindos do que antes e o sorriso mais encantador que existia no mundo.
  — Oi Jacobsen — diz ela sorrindo encostada na porta — Senti sua falta
  Eu não tinha palavras para aquele momento e apenas á beijei como se aquela fosse a última vez que veria Margo Roth Spiegelman na minha vida.


Autor (a): Emanuelle Carvalho

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